sábado, 27 de abril de 2013

Oh, prima querida!


Vera, não tenha vergonha de se apresentar. Mostre-nos sua beleza e cores exuberantes até agora escondida entre nuvens. O menino inverno já ficou bastante tempo. Esse friozinho já está além da cota do normal. Agora é a sua vez, garota. Dê-nos as flores e o calor tipicamente seus. Venha com tudo, prima linda! Chegue de fato, primavera!



Foto: Januária Oliveira

Um mundo maior do que os nossos olhos veem


Ceticismo em torno de um projeto acadêmico sobre funk e feminismo. A crítica veio de uma jornalista e dividiu reações. Que diriam então os críticos sobre matérias acadêmicas que se dedicam a estudar quadrinhos, séries americanas de TV, Geração Beat, cultura pop, política Queer, prostituição na literatura? Ah, besteira! E um programa de mestrado inteiro voltado para os Beatles? Beatles são os Beatles. Fizeram história na música e não se compara com essa merda de funk, diriam alguns (muitos). Pois bem, céticos, temas como esses são objeto de pesquisa em programas de pós-graduação nas áreas de comunicação e cultura de algumas universidades europeias e norte-americanas. 

Neste semestre tenho uma disciplina chamada Graphic Novel. As discussões não são apenas interessantes, mas sobretudo construídas em cima de rica base científica. E há ainda outras cadeiras sobre os processos da atualidade. Aliado a eles, os professores oferecem contato com as teorias tradicionais, trazem velhos conhecidos da academia, como Deleuze, Foucault, Adorno, Derrida, W.Benjamin (citando alguns) e apresentam-nos, claro, novos pensadores. Afinal de contas, o mundo é dinâmico e as reflexões não estancam. 

Quando a universidade, na sua multiplicidade, abre seus olhos, ouvidos e boca para o que rola ao seu redor e tenta entender o funcionamento social, incluindo seus círculos ignorados, quem ganha é a própria sociedade. As rodinhas fechadas dos intelectuais são importantes e têm seu papel, mas há muita vida além desses muros. Enfim, tudo isso para expressar minha humilde posição a favor do conhecimento, seja ele produzido a partir do que vem dos guetos, das favelas ou da high society.


Os livros sábios fazendo a vez dos três macacos sábios 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Promessa de amor sólido




O que sao uns pontinhos coloridos em cima da ponte?


Vou dar uma dica: tá vendo aquele casal ali? Agora ficou fácil.

Os pontinhos sao os cadeados do amor. Geralmente, casais apaixonados grafam as iniciais de seu nome no cadeado e deixam o objeto lá, preso às grades de protecao de uma ponte (o ritual é praticado em muitas cidades européias e é bastante popular entre os turistas).

Alguns acreditam que isso atrai sorte para o relacionamento, outros botam fé em uma uniao duradoura, do tipo ‘amor para a vida inteira’.  




 




Os cadeados das fotos sao encontrados em Kennedeybrücke, a ponte que passa sobre o rio Reno e liga o centro de Bonn à outra parte da cidade, chamada Beuel. Comparados aos da ponte em Köln, os cadeados de Bonn-Beuel nao chegam a ser tantos, mas imprimem charme e romantismo à frieza da armacao de ferro. Na real, o que todos os casais querem é viver uma grande história, seja com ou sem gestos simbólicos. Com ou sem a promocao de encontros como esse, em que o abstracionismo do sentimento se junta com a dureza de um cadeado no ponto qualquer uma barreira separando duas realidades. Mas há sempre outras interpretacoes mais sentimentais para o ritual, claro.
 
                                                                                          Fotos: Januária Oliveira

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Alegria rimando com ousadia, sintoma da estacao


Verao chegou. A estacao tao esperada pelo pessoal dessas bandas de cá.

A imagem ao lado representa um pouco do espírito dos alemaes nesta época do ano: 
corpo exposto,
sorriso fácil, 
bom humor evidente,
desejo de se refrescar (principalmente com sorvete ou cerveja, embora verao na Alemanha nao signifique sol diariamente) 
e uma coragem, às vezes desconsertante, na hora de combinar o modelito – meias no chuveiro, meu senhorzinho? Ou está indo para a sauna? 

Com dias mais longos, em que a claridade natural vai até 22h, dá para perder a nocao do tempo. Uma muvuca colorida toma conta dos cafés, bares e sorveterias. A alegria no olhar das pessoas completa o brilho e a beleza do verao germano.



Foto: Januária Oliveira

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Criatividade e lápis: surge vida em um quadrinho

Sempre gostei de quadrinhos. O desenho e a palavra escrita, juntos, sao um artifício visual que pode falar de muitas coisas de maneira livre, desenrolada. Um hipertexto de imaginacao que extrapola os limites da superfície rabiscada.

Este ano conheci Jonas Fink - um jovem em Praga, primeiro título da série criada por Vittorio Giardino. Jonas é filho de burgueses. O pai é médico. A mae, professora de frances. Os comunistas tomam o poder e o Estado é totalitário. A situacao é complicada para a classe burguesa. O cotidiano do menino ilustra um pouco a vida difícil em Praga, sob o regime comunista nos anos 50.



 

A primeira edicao de Jonas Fink me empolgou e deu vontade de ler as outras publicacoes da série. Empolgacao nao somente por conta do texto, que reconta a ditadura soviética de modo enxuto, sutil e, ao mesmo tempo, intenso, mas também por conta dos ótimos desenhos, que aproxima o leitor daquele cenário histórico politico.

Gosto das linhas de Giardino, construídas em cenários realistas, rostos expressivos e corpos curvilíneos. Os personagens femininos me fazem lembrar do tracado de Milo Manara.

E as Historias em Quadrinhos já nao sao, há muito tempo, leitura apenas para crianca.

O mercado de HQs adulto é bastante sólido e movimentado. Falo nao só só dos quadrinhos eróticos, a exemplo de Manara e de alguns trabalhos do próprio Giardino, mas adaptacoes de clássicos da literatura universal e também de temas relacionados a guerras e conflitos que explodem em diferentes regioes no mundo.

Há diversas obras. Cito, por ora, apenas algumas que tive oportunidade de ler, como Persepolis (Marjane Satrapi), e adquirir, como Palestina (Joe Sacoo) e Berlin (Jason Lutes). Tais mídias sao categorizadas como Graphic Novel, pois sao formatadas como livros e, tanto o material empregado na confeccao quanto a narrativa, tem características diferentes das das revistas em quadrinhos - embora sejam, basicamente, desenho e texto, como as HQs tradicionais.

Na Alemanha há muitas producoes e eventos ligados ao universo dos HQs/Comics/Graphic Novels. Um dos importantes é o InterComic, que visitei ano passado, na cidade de Colonia (Fotos aqui). Em Bonn, houve uma exposicao sobre Anime que contemplou também, em parte, o trabalho dos quadrinistas. Já no dia 12 de maio teve a terceira edicao do Dia do Comic, em que lojas especializadas oferecem, de graca, revistas em quadrinhos.

Exposicao Anime no Bundeskunsthalle, em Bonn

Nao é permitido tirar fotos dentro das salas de exposicao

Fica o registro da tela digital colocada na fachada do museu


Mas nao só entre alemaes os Comics fazem sucesso, franceses e belgas também se dedicam com prazer a essa arte. Asterix e Obelix (Franca) e Lucky Luke (Bélgica) estao há um tempao fazendo a alegria de geracoes.


* A minha dica para voce que gosta de filmes adaptados de quadrinhos é o longa metragem Persepolis (2007). Além de bem produzido, dinamico, cheio de humor e locucoes afinadas, o filme é bastante fiel à Graphic Novel.

Fotos: Januária Oliveira

terça-feira, 1 de maio de 2012

Como deixar uma mulher satisfeita

Ela vai a uma loja* comprar um par de sapatos e, ao chegar lá, fica sabendo que a loja está com promocao para todos os produtos. "Bacana!", pensamento 1 "vou economizar algum" pensamento 2.

Depois de olhar as ofertas, ela decide comprar um scarpin (lindo, lindo!), em tom rosa clarinho - mas que também está na moda chamar de Nude e que, em Sao Luís, nao sairia por menos de uns 80 Reais. Valor na promocao: 15 Euros (cerca de 38 Reais, pela cotacao do dia). No início da primavera, o mesmo modelo custava 25 Euros.

Aí ela ve que dá para levar mais um produto, empolga-se e pega um par de pantufas  do Snoopy que até umas semanas atrás custava 12 Euros. Naquele dia vale 5 Euros. Bem, pelas contas a cliente pagará pelos dois artigos 20 Euros (15 do sapato e 5 das pantufas).

Hora do pagamento no caixa, a consumidora dá uma nota de 20 e recebe 4 Euros de troco. Como assim? Intrigada, ela devolve o troco e diz que tudo custa 20 'pila'. A jovem vendedora explica: "Reduzimos os precos por esses quatro dias, devido ao Dia do Trabalho". Mas outra promocao, na verdade, já existia. Ou seja, era promocao em cima da promocao. Pensamento 3: "Que sorte!"

Nem preciso dizer que a cliente aqui saiu da loja bastante satisfeita.

P.S.: O scarpin vai fazer companhia a outra aquisicao, também por preco camarada, na loja concorrente**. Outro par de salto alto da família Nude, só que em tom terroso.

*C&A
** H&M